A Unesp lançou, na última segunda-feira (31/03), a campanha “Unesp Sem Assédio – Sem medo, sem impunidade: o assédio não tem lugar em nossa universidade”.
A ação é uma iniciativa da Coordenadoria de Ações Afirmativas, Diversidade, Equidade e Inclusão (CAADI) e da Ouvidoria Geral da Universidade, e irá percorrer todos os câmpus da Universidade até dezembro de 2025.
O objetivo é conscientizar a comunidade acadêmica sobre o assédio moral e o assédio sexual, promover debates e coletar informações para embasar políticas institucionais mais eficazes de combate a esse tipo de violência.
A campanha pretende envolver docentes, discentes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos, promovendo rodas de conversa sobre ética, assédios, relações interpessoais e institucionais em cada um dos câmpus.
Os encontros serão divididos em dois momentos: inicialmente, haverá uma exposição sobre conceitos fundamentais, como assédio moral e sexual, importunação sexual e bullying.
Em seguida, os participantes se reunirão em grupos segmentados – estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos – para compartilhar vivências e discutir problemas enfrentados no ambiente universitário.
A partir dessas discussões e apresentações de problemáticas de cada câmpus, será possível traçar novas ações de conscientização e combate à violência.
Além disso, também será revisado e atualizado o Código de Ética da Unesp, documento que orienta as condutas de todos os segmentos da Universidade.
Além das rodas de conversa, haverá oficinas, intervenções nos espaços de convivência, materiais educativos e conteúdos nas redes sociais, todos focados na educação, conscientização e responsabilização dessa violência.
A iniciativa conta com apoio da Reitoria, diretorias dos câmpus, coletivos estudantis, grupos de pesquisa e entidades sindicais.
Assessora da Caadi e docente do câmpus da Unesp em São José do Rio preto, Ana Maria Klein destaca que o foco central da campanha é ouvir as comunidades de cada unidade.
“Queremos ouvir e identificar onde se encontram os problemas para podermos pensar em políticas institucionais e ações mais eficientes. Não é possível planejar uma ação sem identificar onde estão os maiores problemas”, explica.
Larissa Pelúcio, professora do câmpus da Unesp em Bauru e também assessora da Caadi, ressalta que um dos objetivos da campanha é o letramento sobre os termos relacionados à essa violência, pois, dessa forma, a comunidade acadêmica poderá identificar e denunciar esses atos, servindo como uma forma de prevenção.
“Nomear é fundamental para que as vítimas possam organizar o sofrimento, as dores, os incômodos e poder também encaminhar para as instâncias que a universidade oferece, não só no campo do acolhimento, mas também da denúncia, para que possamos, como instituição, agir”, afirma.
Para marcar o início da campanha, a reitora Maysa Furlan gravou um vídeo reforçando o compromisso da Universidade em combater o assédio.
“Queremos uma universidade em que ninguém tenha medo de denunciar e em que o silêncio não seja mais a única saída. Como diz o slogan da campanha: sem medo, sem impunidade, o assédio não tem lugar em nossa universidade”, diz.
O pronunciamento da reitora pode ser visto na íntegra no canal oficial da Unesp no Youtube.
O combate ao assédio dentro da Universidade
A campanha integra um conjunto de ações já desenvolvidas pela Unesp para combater o assédio, como o Guia de Enfrentamento ao Assédio, elaborado pela Caadi, o curso “Gênero, Feminismos e Violência”, e o Grupo de Trabalho Unesp Mulheres, que reúne professoras, servidoras técnico-administrativas e estudantes para discutir e apresentar demandas das mulheres na Universidade.
A Unesp também integra o pacto Ninguém se Cala, movimento do Ministério Público de São Paulo voltado ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Outra das iniciativas é liderada pela Ouvidoria Geral da Universidade. Chamado de Acolhe Unesp, o programa ouve, orienta e presta apoio às vítimas de assédio e outras violências.
“É possível entrar em contato com o Acolhe Unesp pelo telefone. Caso uma vítima de assédio queira orientação sobre o que fazer ou está em sofrimento, ela pode ligar para receber orientações e apoio. Temos protocolos da área de saúde, com instruções de assistência social, didática e pedagógica, para poder ajudar essa pessoa”, explica Cláudia Maria de Lima, docente da Unesp em São José do Rio Preto e responsável pela Ouvidoria Geral.
Além do acolhimento, a Ouvidoria também organiza o processo de denúncia, no qual é garantida a segurança da vítima com o anonimato e outras medidas de proteção.
Atualmente, as denúncias são encaminhadas para a direção das unidades que, junto da assessoria jurídica, conduz a investigação.
A ouvidora Cláudia, que também irá percorrer os câmpus junto com a equipe da Caadi, reforça que a campanha é essencial para desnaturalizar a violência e incentivar as denúncias, muitas vezes dificultadas por relações de poder.
“Essa iniciativa tem um papel de formação, orientação e mudança cultural, combatendo a violência cotidiana na Universidade e na sociedade”, diz.
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