Estudantes do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Câmpus Ilha Solteira (SP), conquistaram duas premiações na Feira de Ciência e Tecnologia de Três Lagoas-MS, o FECITEL 2026.
A instituição participou do evento com 16 alunos e oito trabalhos, alcançando o primeiro lugar na área Multidisciplinar do Ensino Médio Técnico e o segundo lugar em Ciências Humanas e Sociais.
Um dos destaques foi o projeto Construção de Maquete Tátil de Moçambique, desenvolvido pela estudante Laura Luiza Chiquetto Antoniassi, do terceiro ano do curso técnico em Edificações, sob orientação do professor Eduardo Roberto Mendes.
O trabalho conquistou o primeiro lugar na área Multidisciplinar.
Em entrevista ao IlhaNews, o professor Eduardo Mendes explicou que a proposta surgiu como continuidade de pesquisas sobre mapas táteis realizadas no campus, com a intenção de ampliar a produção de materiais didáticos acessíveis.
“A escolha de Moçambique também está relacionada à intenção de representar países africanos, temática ainda pouco explorada nos materiais anteriormente desenvolvidos”, explicou o professor.
O projeto também dialoga com o Conexões EFORGEO, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Câmpus de Três Lagoas, que aborda, entre outros assuntos, as relações entre Brasil e Moçambique.
A maquete foi produzida no Laboratório IFMaker do IFSP, utilizando uma máquina de corte a laser para gravar o mapa em uma placa de MDF de três milímetros de espessura.
Posteriormente, recebeu pintura com tinta spray e etiquetas em braile fornecidas pelo colaborador Eder Pires de Camargo, da Unesp.
“O recurso permite que pessoas cegas explorem as informações geográficas por meio do tato, identificando os elementos representados na maquete”, destacou Eduardo.
As cores intensas e os contrastes visuais também foram planejados para facilitar a leitura por pessoas com baixa visão.
Segundo o professor, o material já passou por uma avaliação inicial realizada por uma pessoa cega, com resultado positivo.
“Até o momento, a maquete foi testada por uma pessoa cega, que apresentou uma avaliação positiva quanto à leitura tátil e ao conforto durante a exploração do material”, relatou.
A equipe ainda pretende realizar testes com pessoas com baixa visão para verificar a eficiência dos contrastes e identificar possíveis melhorias.
O trabalho integra uma trajetória de pesquisas em Cartografia Tátil desenvolvidas no IFSP de Ilha Solteira.
Entre 2022 e 2025, foram realizados quatro projetos de pesquisa e um projeto de ensino voltados à produção de materiais cartográficos acessíveis.
“A equipe também está aberta a estabelecer parcerias com escolas e outras instituições interessadas no desenvolvimento ou na utilização de materiais adaptados”, afirmou Eduardo.
Jogo sobre desigualdades sociais também foi premiado
A segunda premiação foi conquistada pelo jogo STRATUM 2.0: Um jogo sobre Desigualdades Sociais, que ficou em segundo lugar na área de Ciências Humanas e Sociais.
O jogo foi desenvolvido pelas estudantes Laura Guimarães Ardel, do 3º ano do curso de Desenho de Construção Civil (DCC), e Melissa Namie Kuroiwa, do 2º DCC.
O projeto teve como orientador o professor Fabio Akira Shishito e como co-orientador o professor Eduardo Roberto Mendes.
O projeto utiliza atividades interativas para abordar desigualdades sociais, incentivar a reflexão e estimular a aprendizagem ativa.
Segundo o professor Eduardo Mendes, a pesquisa teve início em 2024, passou por novas etapas de desenvolvimento e foi aperfeiçoada entre 2025 e 2026.
“Com foco nas desigualdades sociais e na aprendizagem ativa, o jogo utiliza uma abordagem interativa para trabalhar questões sociais e estimular a reflexão dos participantes sobre o tema”, explicou.
O protótipo também foi confeccionado com o apoio do Laboratório IFMaker, especialmente dos equipamentos de gravação e corte a laser utilizados na produção de seus componentes.
Além dos dois projetos premiados, a delegação do IFSP apresentou outros seis trabalhos em áreas como Humanas, Linguagens, Biológicas, Construção Civil, Administração e Economia.
As premiações destacam a produção científica dos estudantes de Ilha Solteira e demonstram como pesquisas desenvolvidas no campus podem contribuir tanto para a acessibilidade educacional quanto para a discussão de problemas sociais.







